Não venha me vender amor. Venda-me arquitetura, venda-me cometas, venda-me cartões de crédito, mas amor não se vende. Ideologismos de felicidade, amor e crenças não se negociam. São os valores imutáveis, não? De resto, caso queira, venda-me, empresta-me, aluga-me, faça o que quiser. Só não estou a fim de financiar o teu amor em 48 parcelas fixas, com uma pequena entrada e prestações suaves.
Faço caso se isso acontecer. Você é uma moça notável. Tem olhos tão lindos, que mais parecem com o brilho de duas estrelas no céu do teu rosto. Tem estrelas cadentes que correm pelos teus lindos lábios enquanto eles esboçam um riso, ah, você é uma moça notável.
É a minha musa. Minha musa secreta, com o riso alegre e o olhar dotado de paixão pela vida. Digo, pois também estou apaixonado pela vida. Por isso não me ofereçam amor. Não quero comprá-lo. Quero conquistá-lo com minhas incertezas, minhas lamentações, minhas piadas de mal gosto, eu não sei, mas comprá-lo não.
Você é a minha musa. E eu já dormi com mulheres terríveis. A elas eu paguei, pago e pagaria. A você não. Pois há amor, e não quero vender minha concepção de bons costumes – não sou dos melhores para tal tarefa. Hoje, no entanto, a noite caiu e eu me lembrei dos teus olhos. E quando eu me lembrei dos teus olhos, quis fazer canção bonita. Quando eu quis fazer canção, me lembrei que não sei compor canções, assim como o sol não compõe as notas do silencioso grito da madrugada, e pensei em só pensar em você. Quando, então eu pensei em você, decidi fazer uma crônica de amor. E só. E eu só o faria, por ser a melhor coisa no mundo que eu poderia fazer.
Nada, nada, mais nada. Não sei fazer mais nada, meu bem. Não sou bom com flores, não sei dar chocolates, não sei mais nada: só crônicas de amor. Você é a minha musa.
Favor não venderem ideologias de amor. Vendam o corpo, sim, vendam a alma ao diabo, vendam o martelo, a britadeira, o refrigerador, mas amor é essencial à vida.
Se você vende o amor, vende também as tuas expectativas. Vender expectativas é tornar a vida insustentável: rios de dinheiro de solidão. Adeptos solitários aos novos costumes e carentes em uma noite vazia. Ao menos não comprarei teu negócio: vou vivê-lo, e por viver, viverei, viverá e viveremos cá neste canto: sorrindo, brincando e sonhando em morrer de amor!
Heitor Henrique.
Que linda!!!Hum, vamos lá:
Elis Regina: como os nossos pais;
Caetano Veloso: Só vou gostar de quem gosta de mim;
Los Hermanos: A flor;
The Rolling Stones: Ruby tuesday
e The Beatles: In My Life!
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
não vou ceder
Deus vai dar aval sim,
o mal vai ter fim
e no final assim calado
eu sei que vou ser coroado rei de mim